Esta lenda, possui contornos que nos recordam e por vezes se confundem com a história dos 3 pastorinhos de Fátima.

Existe na freguesia de Bravães, em Ponte da Barca, uma Igreja dedicada a N.ª Sr.ª da Pegadinha. Supostamente, esta foi dedicada a Nossa Senhora porque segundo as vozes do povo, ali teria realizado uma aparição.

Reza a lenda barquense que, há muitos anos atrás, três crianças, três irmãos pastores, andavam a pastorear o gado no campo. Esta história dá-nos conta de um quotidiano onde, numa época em que o povo vivia predominantemente da terra, passava por muitas dificuldades nomeadamente, fome. Com uma agricultura e pecuária de subsistência, em regime de minifúndio, ao sabor dos caprichos da natureza, um mau ano agrícola poderia significar despensa vazia para a família.

Um belo dia, estando os 3 irmãos pastorear, apareceu-lhes Nossa Senhora que apercebendo-se do seu aspeto andrajoso e da fome por que passavam, teve pena deles.
Assim, disse-lhes que fossem a casa ver na masseira, pois lá teriam pão em abundância. Os pastorinhos sabiam que não havia pão quando saíram de casa pela manhã mas, ainda assim acederam, e foram verificar se lá havia pão. Para grande espanto deles, a masseira estava repleta de saboroso pão. Gritaram: – “Milagre… Milagre!…”

Na aldeia, as notícias correm rápido: num ápice, toda a freguesia sabia do ocorrido. Todos acorreram ao local da aparição mas, a virgem, já lá não estava… então, para espanto geral, no local onde Nossa Senhora havia aparecido aos 3 pastorinhos, estava gravada na pedra uma pegada de um delicado pé – o da mãe de Jesus.

Entretanto, a pegada não chegou até aos nossos dias… terá desaparecido?
Segundo o povo, foi exatamente nesse local onde se ergueu, anos mais tarde, a capela N.ª Sr.ª da Pegadinha que ainda hoje podem visitar.

Letra da canção da lenda de Nossa Senhora da Pegadinha

Refrão:
NOSSA SENHORA DA PEGADINHA
TEM EM BRAVÃES
A SUA CAPELINHA

1

ESTA VELHINHA HISTÓRIA
TEM-NA O POVO NA MEMÓRIA,
DE TRÊS SIMPLES IRMÃOZINHOS
QUE ERAM MUITO POBREZINHOS.

PASSAVAM OS DIAS NOS MONTES,
DE TÃO BELOS HORIZONTES,
NUM TRABALHO ESFORÇADO,
APASCENTANDO SEU GADO.

2

MUITO POBRES NO VIVER
SEM TER QUE VESTIR, NEM COMER,
ANDAVAM ESFOMEADOS
ANDRAJOSOS, ESFARRAPADOS…

NOSSA SENHORA AO VÊLOS
DECIDIU SUPREENDÊ-LOS,
TEVE PENA E COMPAIXÃO
FEZ-LHES UMA APARIÇÃO.

3

DISSE ENTÃO PARA AS CRIANÇAS,
PALAVRAS SIMPLES E MANSAS:
– ‘PAREM COM A BRINCADEIRA,
IDE PARA CASA E ‘ABRINDE’ A MASSEIRA’

– ‘IDE JÁ, QUE IREIS TER
EM CASA PÃO PARA COMER’.
LARGARAM TUDO NA HORA,
CRERAM EM NOSSA SENHORA.

4

FORAM A CASA PARA VER
O QUE ESTARIA A CONTECER?
COMO TINHAM PÃO NO LAR
SEM FARINHA P’RA AMASSAR?

QUANDO A BRUZENDE CHEGARAM
NA MASSEIRA PROCURARAM,
LÁ ESTAVA CHEIA DE PÃO
A SENHORA TINHA RAZÃO.

5

O POVO CRÊ, POR DEVOÇÃO,
QUE NO PENEDO DA APARIÇÃO
FICOU UMA PEGADINHA
E LÁ NASCEU A CAPELINHA.

DESAPARECEU A MARCA DO PÉ
MAS, COM CRENÇA E COM FÉ,
LÁ ESTÁ HOJE UMA CAPELINHA
DE NOSSA SENHORA DA PEGADINHA

Mário Laginha

Com uma carreira de mais de duas décadas, Mário Laginha é habitualmente conotado com o mundo do jazz. Mas se é verdade que os primórdios do seu percurso têm um cunho predominantemente jazzístico tendo sido fundador e membro de projetos de referencia no género, tais como, o Sexteto de Jazz de Lisboa, o decateto e o trio de Mário Laginha, construiu com a cantora Maria João um tributo às músicas que sempre o tocaram, a começar pelo jazz e passando pelas sonoridades brasileiras, indianas, africanas, pela pop e o rock, sem esquecer as bases clássicas que presidiram à sua formação académica e que acabariam por ditar o seu primeiro e tardio projeto a solo, inspirado em Bach (Canções e Fugas, de 2006).

Nas décadas de oitenta e noventa do século passado, realizou projetos em torno do instrumento “piano” que ficaram famosos, tais como, o “3 pianos” com os reconhecidos pianistas Pedro Burmester e Bernardo Sassetti, e o projeto com este último, em duo, até ao seu inesperado desaparecimento.

Hoje, possui uma agenda vertiginosa, sendo o músico português nesta área que mais concertos dá pelos 5 continentes, tendo atuado nos maiores festivais de jazz do mundo, tais como: Festival de Jazz de Montreux, do Mar do Norte, Jazzaldia (San Sebastian), Montreal, entre muitos outros.

Com uma sólida formação clássica, Mário Laginha tem escrito para formações tão diversas como para a Big Band da Rádio de Hamburgo, Big Band de Frankfurt, a Orquestra Filarmónica de Hannover, Orquestra

Metropolitana de Lisboa, o Remix Ensemble da Casa da Música, o Drumming Grupo de Percussão e a Orquestra Sinfónica do Porto. E tem tocado, em palco ou em estúdio, com músicos excepcionais como Wolfgang Muthspiel, Trilok Gurtu, Gilberto Gil, Lenine, Armando Marçal, Ralph Towner, Manu Katché, Dino Saluzzi, Kai Eckhardt, Julian Argüelles, Steve Argüelles, Howard Johnson, Django Bates, entre outros. Compõe também para cinema e teatro.

É pois garantia de qualidade musical, e de notoriedade mediática, ter o Mário como compositor de duas obras sobre as nossas lendas.